Automação da Operação de uma Rede de Distribuição através de Sistemas Multiagentes

Durante a metade desse mês de outubro, houve o III Workshop da Pós-graduação aqui no departamento de engenharia elétrica da Universidade de Sâo Paulo, Escola de Engenharia de São Carlos - local onde atualmente faço meu mestrado.

O objetivo do workshop é manter um acompanhamento permanente aos alunos que estão pesquisando na universidade, além de possibilitar uma maior interação entre os mesmos. Falar em interação pode até soar estranho, afinal, todos estão no mesmo departamento. Precisaria mesmo de um evento para isso? A resposta é sim - existem muitos pós-graduandos, e não é forçar a barra imaginar que você se formará e não conhecerá todos. Olhem os números - são mais de 180 estudantes de mestrado e doutorado na instituição.

Bem, mesmo com o trabalho ainda no começo, tive que apresentar para os pares. O título dele é "Automação da Operação de uma Rede de Distribuição através de Sistemas Multiagentes" (uma cacofonia triste, verdade) e trata sobre aplicação de sistemas multiagentes para simular a nova geração de sistemas de distribuição de energia elétrica - que se caracterizam por utilizar uma camada de comunicação e inteligência entre quem consume e quem oferta energia.

A essas redes dá-se o nome de smart grids e elas terão muita evidência nos próximos anos, sendo alvos de esforços de pesquisa de várias áreas. Então, minha pesquisa faz um apanhado de sistemas multiagentes, inteligência artificial e otimização (entre outras áreas, mas com menor expressão nesse contexto), aplicados ao problema da engenharia elétrica de distribuir energia. Só espero terminar tudo isso ainda com sanidade. ;-)

Para quem tiver curiosidade, segue a apresentação que fiz neste workshop. Fique a vontade para me escrever e expor sua curiosidade sobre o tema.

Correrias e trabalhos

ENSL

Bem pessoal, vida de estudante, como sempre, é aquela correria. Na verdade, acho que a vida de todo mundo é correria. Mas enfim, voltando à questão do estudante.

Estou implementando o projeto da minha dissertação que, se der tudo certo, pretendo defender no meio do próximo ano - completando por volta de 1 ano e meio de mestrado. Meu trabalho é sobre smart grids e uma simulação via sistemas multiagentes. Estou usando a plataforma Java, com o framework open source Jade, para fazer esta implementação. Ficarei muito feliz em falar mais sobre este assunto, mas isso ficará para outra hora...

Ontem também apresentei meu trabalho sobre um estudo comparativo de operadores de crossover para a metaheurística algoritmo genético aplicada ao problema de job shop com datas de entrega. A apresentação foi no ENEGEP (Encontro Nacional de Engenharia de Produção), aqui na Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR. Também vai ficar para outra hora o post com o pôster e o que achei da apresentação.

No dia 30 de setembro saiu também a primeira listagem das palestras aprovadas para o IV ENSL (Encontro Nordestino de Software Livre). Tive a felicidade de ter minha palestra aprovada. Com o título "Preparando o GNU/Linux para a Academia", falarei sobre minha experiência de graduação e mestrado em cursos de tecnologia (ciência da computação e engenharia elétrica) e o uso de softwares livres. Então, se você precisa de uma força sobre qual linguagem, framework, IDE ou algo do tipo, disponibilizada como software livre/open source, para determinada disciplina, apareça em Natal entre os dias 5 e 6 de novembro e vá na sala da minha palestra. ;-)

Também trabalhei como revisor de palestras do ENSL para as demais trilhas que não a minha, e posso dizer que vi muita coisa legal lá. Foi muito difícil esse papel de selecionar as melhores, tamanha a qualidade das submissões. Certamente teremos um Encontro Nordestino de Software Livre de grande qualidade!

Para encerrar, ainda estou preparando uma apresentação sobre minha pesquisa para o workshop da pós aqui na USP... enfim, deu pra perceber como é o pique, heim? E olha que meu aniversário foi dia 7 desse mês e não estou contabilizando aqui as cachaçadas! :-D

Entre mais livros e jornais comprados e lidos, vou levando essa vida num ritmo frenético de correrias. Mas bem, fiquei devendo vários posts pra vocês depois desse... só aguardar.

Só não prometo estes textos sairão logo.

Acompanhando a apuração das eleições no GNU/Linux

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilizou nesse ano uma forma de acompanharmos a apuração da eleição em tempo real. A partir do programa "Divulga2010", escrito em java, você poderá visualizar a contagem dos votos tanto para a eleição presidencial quanto para as estaduais - governadores, deputados e senadores.


Eu ainda não sei se terá contagem dos votos nulos, mas enfim ;-). É uma boa pra quem quiser colocar um ambiente com data show, fazer uma comida, abrir uma cerveja (olha a lei seca!) e chamar os amigos para a apuração. Para quem gosta, deve ser legal!

O programa pode ser executado no GNU/Linux sem problema, bastando para isso ter alguma JRE (Java Runtime Enviroment) instalada. Funciona tanto na máquina da Sun quanto na OpenJDK ou IcedTea. Ele também traz um manual conciso sobre como utilizá-lo.

Veja os procedimentos para executar o programa:

1. Faça o download do programa em http://download.r7.com/eleicoes/2010/Divulga20101.1.0.zip;

2. Extraia o conteúdo;

3. Entre na pasta pela linha de comando e digite:

java -jar divulga2010.jar

E pode abrir a cerveja!

[UPDATE] O TSE também disponibilizou este site http://divulgacao.tse.gov.br/ para a apuração. Então, escolha a maneira que melhor lhe convier para acompanhar a contagem dos votos. [/UPDATE]

PS.: Você sabia que este ano todas as urnas da eleição rodam Linux? Pelo menos, acesso ao código fonte do SO da urna eleitoral nós temos. Quem dera se candidato pudesse ter seu "código fonte" de interesses disponível também...

Do Estadão: Dois pesos...

Interessante ponderação da jornalista Maria Rita Kehl, do jornal Estadão, sobre a desqualificação do voto do pobre. Isso é o que chamamos de "criminalização da pobreza", e já foi muito debatido em encontros por aí.

O link para o post original é este; entretanto, coloquei-o na íntegra pois achei-o de fundamental importância para embasarmos o debate sobre políticas sociais no país. Segue abaixo.


Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva de democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.

Os sonhos, para os sonhadores, não envelhecem jamais



Sempre votei nulo ou não votei - justifico. É uma posição que estou repensando aos poucos, mas como de qualquer forma este ano não votarei, ela atualmente continua a valer. Essa forma de me colocar parte de minhas aspirações a uma sociedade que se organiza pela base, onde as pessoas são de fato os atores políticos por excelência, sem delegar a um outro seus direitos e deveres quanto à constituição do tecido social que decide o futuro do município/estado/país. Um modelo político em que não houvessem "acomodados".

Essa crença vem de minha raiz anarquista, ou socialista libertária. Seria uma espécie de democracia ao extremo, mas sem qualquer relação com esse modelo de hoje que sobrepujou a amplitude do termo "democrático" e nos fez esquecer de seu verdadeiro caráter, que é o tipo representativo.

Mas isso não impede de me sensibilizar com alguns atores que se lançam nesse processo eleitoral. Plínio de Arruda Sampaio é um nome conhecido por todos aqueles que tem proximidade com a esquerda, principalmente por conta de sua histórica militância pela reforma agrária de verdade no país.

Vê-lo em seus 80 anos, forte em suas convicções, é reconfortante. Uma pessoa que dedicou sua vida ao ideal da sociedade socialista, que não negocia com demais interesses, que não pagou o preço do dito "pragmatismo" - que resultaria em colocar seus sonhos de lado. Esse é o Plínio, e sua fala final no debate na Globo, no video acima, transmite tudo isso.

Alguns podem achar piegas, outros diriam que é bobagem. Pouco importa. O que Plínio irá deixar nessas eleições é o legado de uma proposta socialista-democrática que reverberará entre os jovens. Seu partido, o PSOL, deverá ganhar mais visibilidade entre eles. Para além, a participação de Plínio nestas eleições constituirá um golpe certeiro naqueles que defendem a hegemonia de Heloísa Helena e sua corrente dentro do partido. O PSOL será outro após o dia 3 de outubro.

Já Plínio, é daqueles bons sonhadores - para os quais, os sonhos não envelhecem. Jamais.

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